Livro Aberto

LIVRO ABERTO

A poesia é um território perdido entre o "sentir" e o "expressar". É um convite para visitar sentimentos e humanizar a pressa. É um território de se reinventar!

Muitas são as formas de expressar e definir poesia. Aqui estaremos apenas compartilhando nossas tentativas de explorar esse território desconhecido em que a "estrada" é construída com emoções.

Vocês, alunos, pais, professores, funcionários e amigos da EDEM, estão convidados a compartilharem suas poesias durante a semana literária. Elas só precisam ser de sua autoria!

Envie sua poesia para o email emtempo@ymail.com

Lembre-se de informar seu nome e de explicitar a sua relação com a escola.

Participem...Aguardamos suas poesias!

Equipe de organização da Semana Literária da EDEM

OBS: O endereço do nosso email estava errado aqui no blog. Se vc enviou para "@ymail.com.br" a poesia não chegou. Por favor reenvie para o endereço correto sem o ".br". Desculpem!



sábado, 15 de outubro de 2011

Caso eu dê indícios de morte:

Cortem imediatamente minha garganta!
e libertem
as palavras
sentidos
declarações de amor
espantos
gritos
choros
que tenho sufocado
por toda minha vida!

Deixem então
fluir enfim
o mar de sentimentos, emoções, recordações
abraços e beijos
que hoje contenho em mim...

Claudia Fenerich (Assessora de comunicação da EDEM)

Olhos

A dor dói na carne
Cavos teus olhos
Bóiam pesadas
Duas pérolas negras
Na branca névoa solidão
Exaustos teus olhos
Nem choram, nem vêem
Apenas suplicam
Um pouso
Nalgum colo ilha
Que te conceda perdão
Por cada pecado
Jamais cometido
Que te salve
Da culpa de não ser Deus
Que te liberte
Do peso do mundo
Por alguns instantes
Flutuando infante
Só por alguns instantes
Flutuando infante

Isabel Guimarães (Mãe do Pablo Guimarães Bandeira da Silveira do 8ºA)

Poeminha

A Mariposa quando voa
É o Diabo, ou tudo?

A Maripousa pousada Mari A
A pousada Mari pous A
Palavras pousadas, lá

Poemas....
Pô e, mas
Ahh...

"Borboleta pousada
É Deus, ou nada?"

Menina quando pousa
Vê, sente, escreve
Tudo; ou nada

Bolo, cachaça, asas, velas
Três moças, três belas
Atrizes, matrizes, Adélias

LuaR (Raul d'Oliveira, pai da Dora do 4º ano)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cama de gato

Me faz tua corda
Me prende na trama
Me faz teu tear
Me trança, me ama,

Do fio, a meada
Me trata, me mata
Prende meus dedos
Me aperta, me ata

Não joga comigo
Não solta meu laço
Me faz teu amor
Me mata de abraço.

Me enrola na sina
não brinca de amor
Me explica, me ensina
Me faz um favor

Trama o enlace
Enrolado no ardor
Desata meus nós
Armadilha de amor.

Confessa teu jogo
Dedilha a escota
Acende a centelha
Aceita a derrota.

Tua vida atada
Novelo de tranças
Eta vida enrolada
Eu tal criança

Estudei o embolo
Entendi os nós,
A trama da teia,
As amarras e nós.

Tito Tortori (professor ciências Fund.2)

NATUREZA "IN HAIKAI"

1) O nevado urso
Pescava na cachoeira
O salmão "do dia"...

2) De repente, foge
Dos tiros no mar de neve.
Vermelho, é sangue!

3) A natureza,
Ferida por caçador,
Dj adeus à cria!

Vinicius (Pai do LAGARTO - 2EM)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CO FUSÃO

Esta vida que cofundamos
confunde-se em nós
e segue desatando intrincados trançados
de umbilicais e todos os demais cordões
que atrelam (emaranham) existências.
Podem ser de ouro.
Delicadas correntes forjadas em metal nobre
e com a dedicação esmerada de uniões de artífices.
Outras vezes, pesados grilhões
de ferro bruto batido.
Podem ser de algodão.
Frágeis barbantes cofiados em toscas rocas
e com a participação de famílias de tecelões.
Outras vezes, grossas cordas
de cânhamo rústico enredado.
Podem ser de folia.
Animados brincantes embalados em velhas canções
e com a tradição cultivada de muitos folguedos.
Outras vezes, tristes lembranças
de amor breve malfadado.
Corda, cordinha e cordão.
Jóia. joinha e ilusão.
Coral, corrente e multidão alucinada.
Fusão, confusão e tormento.
Mentira e paixão
Essas as rimas são e os versos também.
Finalidade e ponto final.

Gustavo Mendelsohn de Carvalho (Pai da Julia Carvalho - 4 ano)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Palavras

Que não nos faltem as palavras
palavras faladas
ou no papel
palavras ao léu
palavras
contato

Palavras sem tato
palavras claras
fanhas
loucas
ou roucas

Palavras ditas
aflitas
da alma
palavras medidas
palavras soltas
nas línguas ferinas
ou afogadas no batom
de bocas carnudas

Palavras confete
desnudas
envoltas em serpentinas
palavras purpurina
na festa da carne
palavras sapecas atrevidas
cintilando
nas rimas do meu samba na avenida

Palavras signos
do código que nos decifra
desafio da meada
alegoria dos enredos
marolas do rio
que me leva ao mar

São as palavras que me fazem amar
ou brigar

Palavras excitam
palavras hesitam
palavras me lançam
como flecha
nos corações desavisados

Palavras

Que não nos faltem as palavras

Cristiano Menezes (Pai da Clara Menezes do 1 ano EM)

Pensamento Avoador

ETA que pensá é negócio complicado,

Tem veis que a gente pensa, e num consegue explicá

Tem veis que agente se alegra por primeiro matutar

Mas que da maioria das veis nos vai é se vexá

Mai s dia, menos dia, encontramú otro alguém também por lá

Nesse lugar que pensamú ser só nosso de pensá

Eta diacho, comu é que ocê veio pra cá?

Andando é que num foi, já que é longe pra daná.

Só pode de ter sido avoando, agarrado em meu pensá!


Alberto Rebello (Pai da Rebeca Stein)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Relações mínimas

Retrato do mundo
Minha turma de alfabetização
O mistério da existência e o jogo das letras
Significados múltiplos preenchidos de papéis
delineando medos,desejos e encantamentos
Caras, bocas, mão e gestos
entrelaçados na construção
Castelos, cidades, universos transversais
cruzamentos, encruzilhadas que ampliam os caminhos
ou os removem
Estabelecendo as diretrizes e
labirintos das vidas
Existências transitórias, multiplanares, voláteis e irrevogáveis.

Eduardo Carvalho Monteiro Filho (marido da Irene)
Professor de Basquete

Sempre

Às vezes me afogo
no fundo de um pouco
até que um afago
me faz menos louco

Às vezes me afobo
com a pressa que não sinto
até que me acalma
um velho e bom tinto

Às vezes me acho
tão longe do perto
até que um susto
me faz mais espero

Às vezes falo
e não digo palavra
até que me calo
e prossigo na lavra


Cristiano Menezes (Pai da Clara Menezes do 1 ano EM)

Dia da Liberdade

Hoje Adélia me libertou,

Neste jubiloso Prado encontrei alimento e vida.

Não tendo agora, finalmente, para onde ir

Não tendo agora, finalmente, porque ir

Posso agora, finalmente, trabalhar em descanso.


Sendo eu, tão mero acaso

Por milagre, tomado.

Devo disseminar

O lavor em mim brotado.


O peso irracional da lucidez

Que antes contivera minha lide.

Cede ao encanto ensolarado

Do meu próprio amanhecer.


Hoje Adélia me libertou,

Neste jubiloso Prado encontrei alimento e vida

Não tendo agora, finalmente, para onde ir

Não tendo agora, finalmente, porque ir

Posso agora, felizmente entardecer.


Alberto Rebello (Pai da Rebeca Stein)

Copacabana Rainha

Eu vi Copacabana ali
Princesa, menina
Cheiro de maresia
Brejeira no andar, faceira só minha
Copacabana Rainha!

Ana de Toledo (Mãe da Tomie Oshiro do 2ºano do Fundamental

sábado, 8 de outubro de 2011

nada

de/mais provar o mingau de veias
dando sopa às gaivotas
alegria morna do dia dos idiotas
me passo a navalha
nos pulsos do sol
& bebo o sumo q escorre
I’m sorry urubus
saltei desse ônibus
não ouço mais
o zumbido dos zumbis
por aqui
eu quero pegar a vida pela goela
vamos juntos eu & ela

Cesar Cardoso (Poeta, Autor, Escritor, Humorista, Blogueiro e parceiro da EDEM)
Do livro A Nossa Moranguíssima Paixão, Editora da UERJ, com edição esgotada e uma segunda prevista para 2012.

O Sepulcro

À tarde, em nuvens vermelhas,
O horizonte engolia o desejo e pavor
Que nos esperava...
No vale das serpentes, em fétidos vagões,
Corpos, observados como "zumbís",
Rumo ao pó desconhecido...
Inocentes estudantes e o povo,
Em viagem no "Trem da Morte",
À espera da Santa Cruz...
O sepulcro!
Amém!

Vinicius(Pai do LAGARTO / EM2)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sempre ao teu lado

Sempre estarei imenso aos teus olhos,
pois estarei sempre por perto

não me deixe diminuir,
não se deixe diminuir

quero estar sempre perto de ti,
ao teu lado poder sorrir

caso um dia eu precise partir
do outro lado esperarei por ti

aonde quer que eu vá,
levarei você no olhar

enquanto você não vir,
imensa sempre serás para mim

e quando você chegar,
voltarei a sorrir.


Eduardo Licurci (Pai da Giulia Licurci G4)